Veículos de comunicação da Espanha, Argentina e Estados Unidos repercutiram, nesta quarta-feira (2), mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o banqueiro Daniel Vorcaro, do extinto Banco Master, que sugerem tentativas de evitar o cumprimento de ordens judiciais.
As conversas, divulgadas inicialmente pela imprensa brasileira, indicam que Moraes discutiu com Vorcaro a possibilidade de a Polícia Federal (PF) tornar pública a primeira fase da operação Compliance Zero. O conteúdo sugere a definição de uma estratégia para que o banqueiro frustrasse uma ordem de prisão preventiva expedida pela 10ª Vara Federal do Distrito Federal. No dia 15 de novembro de 2025, dois dias antes de ser detido, Vorcaro questionou o ministro se deveria estar fora do país na segunda-feira seguinte.
De acordo com as mensagens, Vorcaro pediu que Moraes interferisse em seu favor junto ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor da PF, Andrei Rodrigues. A relação entre os dois já era suspeita após a revelação de que o escritório da esposa do ministro havia sido contratado pelo banqueiro.
O jornal espanhol El País classificou as revelações como uma “bomba atômica” a menos de cinco semanas das eleições. A publicação afirmou que o ministro André Mendonça, responsável por liberar o sigilo das mensagens, e Moraes estariam envolvidos em uma disputa por poder dentro do tribunal. O veículo apontou que o vencedor da eleição poderá alterar a maioria do STF ao nomear juízes para três vagas previstas em seu mandato.
A apuração do periódico espanhol menciona ainda que Vorcaro teria entregue US$ 10 milhões ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para financiar a cinebiografia de Jair Bolsonaro. Na Argentina, o jornal La Nación descreveu o caso como um “terremoto político e institucional”, enquanto o Clarín situou o episódio no contexto da disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, marcada para 4 de outubro.
Nos Estados Unidos, a agência Bloomberg informou que os documentos levaram opositores a renovar pedidos de afastamento de Moraes do tribunal. O veículo afirmou que o caso ameaça a credibilidade da corte brasileira, onde o ministro é visto como figura divisiva, especialmente entre conservadores que o acusam de censura em ações contra notícias falsas.


