Cerca de três mil investidores sofreram perdas estimadas em R$ 900 milhões após o desaparecimento da fintech Naskar Gestão de Ativos. O caso, somado a escândalos envolvendo o Banco Master, é apontado pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo como evidência de fragilidades na regulação do sistema financeiro, que teria facilitado a atuação de organizações criminosas.
Segundo o Sindicato dos Bancários de São Paulo, a desregulação permitiu que fintechs e fundos de investimento fossem utilizados para lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio. A apuração indica que, entre 2019 e 2025, a gestão de Roberto Campos Neto no Banco Central (BC) promoveu um afrouxamento de normas para incentivar a concorrência, o que resultou na proliferação de empresas sem sedes físicas ou governança real.
O economista Luis Nassif afirmou que essa política escancarou o mercado financeiro para o crime organizado. De acordo com a Operação Carbono Oculto, capital ilícito teria sido utilizado como fonte de solvência para fintechs que, após um crescimento baseado em juros altos, precisavam de recursos para não colapsar.
Um dos mecanismos de fraude citados envolve a circularidade de recursos, onde instituições simulariam saúde financeira. No caso do Banco Master e fundos com participação do Primeiro Comando da Capital (PCC), como o REAG, o banco emprestaria valores para fundos que, posteriormente, comprariam ações da própria instituição, criando um capital imaginário.
Para combater a situação, o Banco Central implementou medidas em 2025. A Resolução 494/2025 fixou maio de 2026 como prazo limite para instituições sem autorização definitiva encerrarem atividades, enquanto a Resolução 495 proibiu o uso de endereços de coworking. A Resolução 498/2025 elevou o capital mínimo exigido de Prestadores de Serviço de Tecnologia (PSTIs) de R$ 100 mil para R$ 15 milhões.
Outra medida adotada foi a Resolução 506, que criou o bloqueio de chaves no Pix para asfixiar contas de laranjas e impedir a abertura de novas contas por fraudadores por até cinco anos. Especialistas e o Contraf defendem agora a unificação de dados entre o BC e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para fiscalizar grupos econômicos de forma integral.


