O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou deflação de 0,32% em agosto, resultado influenciado pelo bônus de Itaipu, que reduziu a conta de luz. Quatro dos nove grupos de bens e serviços monitorados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apresentaram queda de preços no mês.
No grupo Habitação, a deflação foi de 1,87%, a menor para um mês de agosto desde a implementação do Plano Real. O recuo foi impulsionado pela energia elétrica residencial, que caiu 7,63%. Em Transportes, a baixa de 0,86% refletiu a queda de 13,17% nas passagens aéreas e de 0,91% nos combustíveis, com recuos na gasolina, óleo diesel e etanol.
O setor de Alimentação e Bebidas recuou 0,34%, com a alimentação no domicílio caindo 0,61%. Entre os itens com maiores quedas estão a batata-inglesa (19,89%), a cenoura (11,22%), a cebola (11,07%) e o tomate (10,94%). Também houve redução no ovo de galinha (4,15%) e no café moído (1,86%).
André Galhardo, economista da Análise Econ, afirmou que a deflação ocorreu em diversos grupos e que a média dos núcleos desacelerou. Segundo Galhardo, embora existam riscos como o El Niño e a alta do preço de títulos, o cenário inflacionário no curto prazo é favorável. A média dos núcleos de inflação subiu 0,23% em agosto, contra 0,26% em julho.
O índice de difusão, que mede a quantidade de produtos com aumento de preço, subiu de 49,6% para 54,4% entre julho e agosto. Contudo, com o ajuste sazonal, o número caiu de 58,7% para 57,2%. No acumulado de 12 meses, a inflação ficou em 4,22%, dentro do intervalo da meta.
André Valério, economista sênior do Inter, declarou que o resultado deve permitir que o Comitê de Política Monetária (Copom) prossiga com o ciclo de ajustes na taxa Selic. O Banco Central se reúne na próxima semana e a expectativa é de um corte de 0,25 ponto percentual, com a Selic podendo atingir 13,25% em dezembro.

