O jornalista Luís Pablo enviou, nesta quinta-feira (10), uma carta aberta ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, solicitando o arquivamento da investigação instaurada contra ele. O caso começou após a publicação de reportagens sobre o uso de um veículo oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA) por familiares do ministro Flávio Dino.
No texto, Luís Pablo afirma que a apreensão de seus equipamentos de trabalho e a quebra do sigilo de sua fonte não resultaram em provas de que ele tenha monitorado a segurança de Dino ou recebido dinheiro para publicar as matérias. O jornalista relatou ter ficado cerca de 70 dias sem acesso a celulares, computadores e HD.
A operação da Polícia Federal (PF) foi autorizada por Alexandre de Moraes em 10 de março de 2026, sob a suspeita de monitoramento ilegal da segurança do ministro. A decisão citou a divulgação de placas de veículos e dados de agentes de proteção. Os equipamentos foram devolvidos em abril, mas a análise do material indicou que Raimundo Cutrim, ex-secretário de Estado do Maranhão, teria repassado as informações.
Luís Pablo argumentou que a exposição da identidade de sua fonte compromete a confiança de futuros informantes e atinge sua credibilidade profissional de 15 anos. Ele declarou que o Estado não pode transformar reportagens desagradáveis a autoridades em prova de conduta criminosa.
Sobre uma transferência de R$ 100 mil, o jornalista explicou que se tratou de um empréstimo pessoal já quitado, com comprovantes de devolução. A própria PF registrou em relatório que não foi possível afirmar com certeza que o valor fosse pagamento por reportagens e que a conduta do profissional não se enquadra como violação de sigilo funcional.


