As taxas de juros futuros recuaram nesta terça-feira (1º), com quedas de até 10 pontos-base no vértice longo. O movimento foi impulsionado por novas pesquisas eleitorais que mostram equilíbrio entre os candidatos e por uma leitura de fraqueza na demanda doméstica do Produto Interno Bruto (PIB).
O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 fechou em 13,585%, contra 13,61% no ajuste anterior. O vencimento para janeiro de 2029 caiu para 14,11%, enquanto o prazo para janeiro de 2031 recuou para 14,39%.
A dinâmica de alívio ocorreu mesmo com alta de 5% no petróleo e tensões entre Estados Unidos e Irã, após ataques a bases americanas na Jordânia. Segundo Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, o fator político foi o principal vetor da queda, pois o mercado associa a melhora da direita nas pesquisas à expectativa de implementação de reformas.
Dados da pesquisa Real Time Big Data mostram o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) empatados com 44% das intenções de voto no segundo turno. No primeiro turno, Lula aparece com 38%, Flávio com 30% e Augusto Cury, do Avante, com 11%.
O PIB do segundo trimestre avançou 0,5% ante o período anterior, superando a previsão de 0,4%. No entanto, economistas interpretaram o número como fraco devido à perda de tração da demanda doméstica. O crescimento foi puxado pela agropecuária e indústria extrativa.
Henrique Danyi, economista do Santander, calculou que, excluindo a agropecuária, o PIB cresceu apenas 0,2%. Sem agro e mineração, a alta foi de 0,1%. Para o economista-chefe do banco Bmg, Flávio Serrano, o resultado sustenta a aposta de novas reduções na Selic, com 100% de chance de corte de 0,25 ponto em setembro.


