Um delegado, um escrivão e um agente da Polícia Civil de Goiás foram afastados de suas funções por 90 dias, nesta quarta-feira (2), por determinação judicial. O grupo é investigado pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO) por suspeita de integrar um esquema de desvio e venda de cargas apreendidas em operações da Delegacia Estadual de Repressão a Furtos e Roubos de Cargas (Decar).
A acusação indica que o delegado Alexandre Bruno de Barros, então chefe da Decar, autorizava o armazenamento de mercadorias em depósitos particulares e clandestinos sem respaldo legal. Os itens seriam posteriormente revendidos no mercado informal, com o lucro dividido entre os policiais e um empresário identificado como Silvio Dutra, conhecido como Carioca.
As irregularidades surgiram após o desvio de uma carga de vergalhões avaliada em mais de R$ 1 milhão, apreendida em 2021 durante a Operação Fogo Amigo. Segundo o MP-GO, o empresário guardava a maioria das cargas e veículos apreendidos sob a gestão do delegado. Em 2023, a Polícia Civil apreendeu o celular de Dutra em Aparecida de Goiânia, onde foram encontradas conversas sobre a negociação dos produtos com terceiros.
O processo menciona que um comparsa do empresário teria entregue uma sacola com R$ 200 mil ao delegado para a compra de uma casa em condomínio de luxo. Alexandre Bruno negou as acusações, afirmou morar em casa de bairro e disse ter colocado seu sigilo bancário à disposição da Corregedoria. Ele justificou o uso de depósitos particulares pela falta de espaço estrutural na delegacia.
O Ministério Público também suspeita que os policiais tentaram obstruir as investigações e intimidar testemunhas. Há indícios de boletins de ocorrência falsos e relatos de ameaças atribuídas ao delegado. Bruno negou ter pressionado qualquer pessoa. O escrivão Silvio Pereira de Macedo e o agente Antônio Gomes Jacim Sobrinho, através da defesa, afirmaram confiar no trabalho da Justiça.
Além do afastamento, a Justiça proibiu os três investigados de frequentarem dependências da Polícia Civil de Goiás. Armas, distintivos, carteiras funcionais e acessos a sistemas de inteligência foram bloqueados. A Polícia Civil informou que a Corregedoria instaurou procedimento interno para apurar os fatos na Operação Depositário Infiel II.


