A candidata ao governo do Piauí, Lúcia Santos (PSDB), acusou a gestão do governador Rafael Fonteles (PT) de utilizar inteligência artificial para a emissão de laudos médicos no serviço de telemedicina do estado. A declaração ocorreu nesta quarta-feira (2), durante debate televisivo, e o caso já é alvo de investigação do Ministério Público do Piauí.
Santos afirmou que a ferramenta automatizada teria gerado erros graves em diagnósticos. Segundo a candidata, foram identificados laudos que atribuíam a presença de ovários a homens e de próstata a mulheres. Ela declarou que tais falhas evidenciam a ausência de profissionais humanos na análise dos exames.
O custo da saúde digital também foi questionado. Santos disse que a prática de gastos elevados com o sistema deve acabar. Outros candidatos aproveitaram o debate para criticar a gestão do serviço, com Elizeu Aguiar (Novo) prometendo a extinção da telemedicina no estado caso vença a eleição.
Aguiar contestou os valores investidos na operação. O candidato afirmou que o serviço consome R$ 15 milhões por mês, totalizando R$ 180 milhões por ano e quase R$ 800 milhões ao longo de quatro anos de gestão.
A Secretaria de Estado da Saúde (Sesapi) já foi alvo de outras apurações. Em 30 de setembro de 2025, a Polícia Federal, a Controladoria-Geral da União (CGU) e o Tribunal de Contas do Piauí (TCE-PI) deflagraram a Operação Omni para investigar fraudes em contratos de organizações sociais que administram hospitais estaduais.
Naquela ocasião, a Justiça Federal bloqueou cerca de R$ 66 milhões e determinou a prisão temporária de dois empresários, posteriormente soltos pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região. A investigação apontou indícios de lavagem de dinheiro, superfaturamento e conflito de interesses, mas não houve condenações até o momento.


