Mirtes Renata, mãe do menino Miguel Otávio, formou-se no curso de Direito no Recife no último sábado (28). A bacharela, ex-empregada doméstica, utilizou a cerimônia para homenagear o filho, que morreu aos cinco anos, em 2020, após cair do nono andar de um edifício de luxo na capital pernambucana.
Mirtes entrou no salão da formatura segurando um quadro com a foto do filho, enquanto a imagem da criança era exibida em um telão. Acompanhada pela mãe, irmã e duas amigas, ela afirmou que a trajetória acadêmica foi difícil e que a lembrança do filho foi a motivação para não desistir do curso.
A decisão de cursar Direito foi motivada pelo desejo de entender e cobrar justiça no processo contra a ex-patroa, Sari Corte Real. Mirtes informou que pretende agora buscar a aprovação na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para advogar e ajudar outras pessoas a lidarem com o sistema judiciário.
Em 2025, a estudante apresentou trabalho de conclusão de curso sobre trabalho escravo contemporâneo e direitos fundamentais, com foco nas trabalhadoras domésticas. Em publicação nas redes sociais, descreveu a conquista como o início de um novo capítulo em sua vida.
Sari Corte Real foi condenada em primeira instância a oito anos e seis meses de prisão por abandono de incapaz com resultado morte. A pena foi posteriormente reduzida para sete anos pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE). Em maio deste ano, o tribunal rejeitou recurso da defesa que pedia nova redução da pena. A ré responde em liberdade.
Mirtes criticou a morosidade do Judiciário pernambucano, afirmando que os desembargadores só agem após cobranças diretas. Segundo a bacharela, novos recursos foram apresentados ao tribunal após a decisão de maio, totalizando seis anos de processo. O TJPE informou que não se manifestará sobre o caso.


