O ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello, afirmou que decidiu não assinar a carta de ex-integrantes da Corte que pede a apuração de um escândalo envolvendo o ministro Alexandre de Moraes. A decisão ocorreu por respeito ao atual presidente do tribunal, o ministro Edson Fachin.
Marco Aurélio relatou que não gostaria de receber tal manifestação caso fosse o presidente da instituição e declarou que Fachin sabe como conduzir a situação. O documento foi redigido como reação a mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, reveladas após o ministro André Mendonça retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal (PF).
A carta foi assinada por 13 ministros aposentados. Além de Marco Aurélio, não assinaram Luís Roberto Barroso e Ricardo Lewandowski. O ministro aposentado Carlos Veloso chegou a convidar Marco Aurélio a aderir ao texto, mas ele optou por não subscrever a manifestação pública.
Apesar da recusa, o magistrado afirmou que a sociedade aguarda explicações e que o pronunciamento deve ocorrer em sessão pública. Para ele, a publicidade é a base da administração pública e citou o ex-juiz americano Louis Brandeis ao dizer que a luz do dia é o melhor desinfetante.
Sobre a relação entre Moraes e Vorcaro, Marco Aurélio disse estar triste e decepcionado. Ele havia apoiado a indicação de Alexandre de Moraes ao Supremo pelo ex-presidente Michel Temer, após a morte de Teori Zavascki, mas declarou que se arrepende da posição.
O ministro defendeu que o STF apresente uma resposta urgente ao problema e argumentou que a solução deve ocorrer exclusivamente no âmbito do tribunal, sem a interferência de outros Poderes.


