Um medicamento experimental desenvolvido com auxílio de inteligência artificial reduziu marcadores associados ao envelhecimento em pacientes, segundo estudo publicado na revista Nature Biotechnology. O fármaco, chamado rentosertib, foi criado pela Insilico Medicine originalmente para tratar a fibrose pulmonar idiopática, doença que gera cicatrizes nos pulmões.
A Insilico Medicine utilizou a IA para identificar a proteína TNIK como alvo terapêutico e, posteriormente, para localizar a molécula capaz de atuar sobre ela. O medicamento passou por um ensaio clínico de fase 2a, realizado entre 2023 e 2024 em 21 centros na China, com a participação de 71 pacientes que receberam doses do rentosertib ou placebo.
A investigação sobre a idade biológica foi feita com amostras de sangue de 42 participantes. Os pesquisadores monitoraram 2.841 proteínas durante 12 semanas, utilizando seis modelos de relógios proteômicos para estimar a idade biológica e o risco de mortalidade.
Todos os modelos indicaram redução da idade biológica nos pacientes tratados com o medicamento. No grupo que recebeu placebo, as mudanças foram pequenas ou houve leve aumento dos marcadores. O efeito mais expressivo ocorreu na quarta semana entre quem tomou 30 mg da substância duas vezes ao dia.
Alguns modelos registraram queda equivalente a três ou quatro anos, enquanto uma das medições apontou diferença de aproximadamente 6 anos. O tratamento alterou a trajetória de 326 proteínas analisadas, enquanto no grupo placebo apenas duas apresentaram mudança significativa.
Os autores do estudo informaram que os relógios captam alterações em proteínas ligadas ao envelhecimento, mas ainda não é possível determinar quanto desse efeito está relacionado à própria doença. O resultado em seis modelos diferentes motiva a realização de pesquisas em grupos maiores.


