Medicamentos para diabetes e obesidade da classe GLP-1, como Mounjaro, Ozempic e Wegovy, não estão associados ao aumento de pensamentos suicidas, depressão ou outros danos psiquiátricos graves, segundo estudo publicado na revista científica Diabetology por pesquisadores da Universidade Estadual do Novo México (NMSU) e da Universidade de Nevada, em Las Vegas.
A equipe de pesquisa analisou cinco anos de evidências, incluindo farmacovigilância, estudos observacionais e dados regulatórios, para entender a evolução do consenso científico sobre as drogas. A análise abrangeu uma combinação de 91 ensaios clínicos que acompanharam milhões de pacientes e não detectou aumento no risco psiquiátrico.
Os relatos iniciais de ideação suicida e ansiedade, que levaram a revisões de segurança pela Food and Drug Administration (FDA) e pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA) em 2023, provinham de notificações voluntárias de médicos e pacientes. No início deste ano, a FDA removeu o alerta sobre risco de suicídio da bula desses medicamentos.
Jagdish Khubchandani, professor de saúde pública na NMSU e coautor do estudo, afirmou que relatos espontâneos podem ser distorcidos pela atenção da mídia. Ele explicou que pessoas com diabetes e obesidade já apresentam taxas basais mais elevadas de depressão e, por consultarem médicos com mais frequência, têm mais oportunidades de relatar sintomas.
A revisão indicou que pacientes que já utilizavam antidepressivos ou benzodiazepínicos apresentaram sinais de notificação mais intensos para ideação suicida. Kavita Batra, diretora executiva de pesquisa médica da UNLV Kirk Kerkorian School of Medicine, disse que a depressão é mais comum em diabéticos do tipo 2 e que os sintomas podem estar presentes antes da prescrição do fármaco.
Khubchandani defendeu que a decisão de usar agonistas do receptor de GLP-1 deve incluir avaliação individual do histórico psiquiátrico. O pesquisador afirmou que o ritmo das pesquisas precisa acompanhar a velocidade do uso dessas drogas, especialmente entre adolescentes e pessoas com transtornos mentais graves, grupos ainda sub-representados nos ensaios clínicos.


