O médico Márcio Corrêa Mancini, chefe do Grupo de Obesidade e Síndrome Metabólica do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), alerta que o uso de canetas emagrecedoras sem acompanhamento pode causar a perda de massa muscular e de nutrientes essenciais ao organismo.
Os medicamentos imitam a ação do GLP-1, hormônio produzido naturalmente após as refeições. A substância atua no pâncreas para estimular a insulina e aumenta a sensação de saciedade, fazendo com que o paciente sinta menos fome e interrompa a alimentação mais rapidamente. Esse mecanismo é utilizado no tratamento do diabetes e da obesidade.
A redução do apetite pode levar a uma ingestão insuficiente de proteínas, resultando na perda de músculos. Para evitar o problema, Mancini afirma que o tratamento deve ser acompanhado por dieta adequada e exercícios resistidos, como a musculação. O especialista recomenda a ingestão diária de ao menos 1,2 grama de proteína por quilo de peso.
O monitoramento de vitamina D, cálcio e a avaliação da densidade óssea também são necessários, especialmente em idosos. A medida visa reduzir o risco de fraturas e a perda de massa óssea durante o processo de emagrecimento, já que o tratamento costuma ser longo.
Mancini explica que a eficácia desses fármacos foi comprovada em pessoas com obesidade ou excesso de peso associado a doenças. Como não houve estudos semelhantes em pessoas com peso normal ou leve sobrepeso, os riscos e efeitos podem variar nesses grupos.
Entre as opções utilizadas estão a Liraglutida, de aplicação diária, e a Semaglutida e Tirzepatida, administradas semanalmente. Enquanto as duas primeiras atuam no receptor GLP-1, a Tirzepatida age sobre dois receptores hormonais, o GIP e o GLP-1. A escolha do medicamento deve ser feita por um médico conforme a necessidade de cada paciente.


