A combinação de estímulos em grandes eventos, como o Rock in Rio, pode favorecer o surgimento de crises em pessoas suscetíveis à enxaqueca, segundo o neurocirurgião Leandro M. Macedo. O médico recomenda que pacientes reconheçam seus próprios gatilhos e planejem a rotina para reduzir a exposição a fatores desencadeantes.
A enxaqueca é classificada como uma doença neurológica que provoca dores de moderada a forte intensidade, geralmente pulsáteis, acompanhadas de náuseas, vômitos e sensibilidade a sons e luzes. Alguns casos apresentam aura, com alterações visuais. No ambiente de um festival, a exposição prolongada a palcos iluminados, música em alto volume e calor intenso pode agravar o quadro.
O neurocirurgião explica que a fotofobia e a fonofobia podem atuar tanto no início da crise quanto como fatores que tornam os sintomas mais incômodos após o começo da dor. Além disso, a alteração nos horários de alimentação, a desidratação e o esforço físico são riscos adicionais para quem convive com a condição.
A privação de sono também é um fator relevante. Shows que terminam tarde e o deslocamento prolongado podem reduzir o descanso, o que, somado ao cansaço e ao jejum, aumenta a vulnerabilidade do paciente. Macedo orienta que dormir bem na noite anterior e manter a hidratação são medidas essenciais.
O médico diferencia a enxaqueca da cefaleia, termo amplo para qualquer dor de cabeça. Ele alerta que dores súbitas e muito intensas, confusão, desmaios, fraqueza ou vômitos persistentes exigem avaliação médica imediata, pois podem indicar condições distintas, como a hipertensão intracraniana idiopática.
Para aproveitar o evento com segurança, a recomendação é seguir o tratamento prescrito e não mascarar sintomas atípicos apenas para permanecer na programação. O reconhecimento dos sinais do organismo é fundamental para decidir o momento de interromper a atividade e procurar ajuda especializada.


