O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), considerava o procurador-geral da República, Paulo Gonet, “indigno” devido à relação do procurador com o ministro Gilmar Mendes, segundo relatório de inteligência da Polícia Federal (PF). O documento indica que Mendonça tentou afastar Gonet de investigações sobre o INSS e o Banco Master.
Mendonça atuava como relator dos inquéritos em questão. De acordo com a PF, o ministro planejava incluir o procurador-geral como testemunha nas apurações. A estratégia teria como objetivo impedir que Gonet conduzisse os casos enquanto ocupasse o cargo de chefia do Ministério Público Federal.
Paulo Gonet foi um dos sócios fundadores do IDP, instituição de ensino dirigida por Gilmar Mendes. O relatório de inteligência foi encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes na terça-feira (1º).
O documento também aponta que Mendonça ameaçou afastar o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Em reuniões com delegados, o ministro afirmou que Rodrigues não transmitia confiança e mantinha proximidade indevida com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Com base nas informações, Moraes solicitou ao presidente do STF, Luiz Edson Fachin, providências para investigar Mendonça por suposto direcionamento político de inquéritos. O ministro apontou indícios de crime de responsabilidade e improbidade administrativa.
O envio do relatório ocorreu na mesma data em que André Mendonça tornou público um pedido para que o plenário do STF investigasse Alexandre de Moraes.


