O ministro André Mendonça deve entregar, entre segunda-feira (7) e terça-feira (8) de setembro, o relatório sobre a investigação contra Alexandre de Moraes no caso do Banco Master. O documento é condição para que o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) analise se o ministro deve ser investigado.
O presidente do STF, ministro Edson Fachin, deve pautar a sessão do plenário já na próxima semana. Fachin pretende que a reunião seja aberta e transmitida ao vivo pela TV Justiça para dar transparência ao caso. Como presidente da Corte, cabe a ele a decisão sobre o formato da pauta.
A composição da votação é incerta e a Corte divide-se ao meio. Estão favoráveis à investigação os ministros Edson Fachin, Luiz Fux, Kassio Nunes Marques e André Mendonça. São contrários Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin. Alexandre de Moraes e Dias Toffoli devem se declarar suspeitos, enquanto o voto de Cármen Lúcia permanece indefinido. Um voto contrário de Cármen Lúcia resultaria em empate, favorecendo Moraes.
A votação ocorrerá durante o ato do Dia da Independência na avenida Paulista, onde bolsonaristas pretendem reunir 100 mil pessoas. A mobilização pode ampliar a pressão sobre o STF para que a investigação seja aberta. Ministros favoráveis a Moraes pretendem argumentar que a apuração teria consequências para todos os membros da Corte.
A controvérsia envolve um relatório de 218 páginas da Polícia Federal (PF) sobre o celular de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. O aparelho foi apreendido em novembro de 2025 na Operação Compliance Zero, que apura fraudes na venda de carteiras de crédito ao Banco de Brasília (BRB). O documento, entregue à Corte em 27 de agosto, detalha mensagens entre Vorcaro e Moraes.
A PF informou que a análise não foi exaustiva por ter sido realizada em 72 horas. Parte dos diálogos ocorreu via recurso de visualização única do WhatsApp, o que impede a reconstrução integral de algumas conversas. O sigilo da ação foi derrubado por Mendonça na última terça-feira (1).
Mendonça também é alvo de questionamentos após a revelação de que se encontrou com Vorcaro em março de 2025 para discutir a Suspensão de Tutela Provisória 976, relacionada a precatórios do Banco Master. O ministro nega ter recebido presentes em encontros com Vorcaro ou com o advogado Ciro Soares.


