O jornalista Merval Pereira afirmou, nesta quarta-feira (9), que a imprensa brasileira deve fazer um “mea-culpa” por ter apoiado condutas de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) em processos recentes. As declarações ocorreram durante a análise de desdobramentos institucionais envolvendo a direção da Polícia Federal e a atuação do ministro Alexandre de Moraes.
Pereira, que é colunista do jornal O Globo e comentarista da GloboNews, disse que os veículos de comunicação tenderam a aceitar medidas claramente fora da lei por acreditarem que os investigados mereciam condenação. O jornalista citou o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, os condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023 e o Inquérito das Fake News.
Segundo o presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL), houve um erro na avaliação sobre os limites judiciais, sob a premissa de que os fins justificariam os meios. Ele afirmou que a negligência com as formalidades deixa a justiça vulnerável a pontos de vista contestáveis, citando especificamente a atuação do ministro Alexandre de Moraes.
O Inquérito das Fake News, mencionado por Pereira, foi instaurado em 2019 por iniciativa do então presidente do STF, ministro Dias Toffoli, sem sorteio prévio. A investigação, da qual Moraes é o relator, apura notícias falsas, calúnias e ataques contra a segurança da Corte e de seus membros.
A fala ocorreu em momento de crise institucional no Supremo, após o ministro Flávio Dino reverter a decisão do ministro André Mendonça. No dia anterior, Mendonça havia determinado o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada, decisão que havia sido referendada pela Segunda Turma da Corte.


