A Meta concordou em pagar uma indenização que pode chegar a US$ 18 bilhões (cerca de R$ 92,8 bilhões) e a alterar o funcionamento de suas redes sociais após reconhecer que o uso das plataformas prejudica crianças e adolescentes. O acordo foi firmado na última quarta-feira (26) com um grupo bipartidário de 52 procuradores-gerais nos Estados Unidos.
O governo americano acusou as plataformas de contribuir para uma crise de saúde mental entre jovens e de violar leis de proteção à criança. A apuração indica que o Facebook e o Instagram foram projetados para serem viciantes, utilizando recursos como notificações frequentes, Stories e vídeos com reprodução automática para manter os usuários conectados por mais tempo.
As novas medidas, válidas por dez anos, incluem um limite diário de duas horas de uso, que exige permissão dos pais para ser desativado. Haverá bloqueio padrão dos aplicativos entre meia-noite e 6h, além do silenciamento de notificações entre 8h e 15h, durante o horário escolar. Adolescentes receberão avisos a cada 15 minutos de uso contínuo.
Outras mudanças aprovadas por Mark Zuckerberg, dono da Meta, envolvem a ocultação de curtidas, a desativação de filtros de maquiagem extrema e a opção de feeds não algorítmicos. A empresa usará tecnologia para detectar contas de menores de 13 anos e restringirá o contato de adultos suspeitos com adolescentes.
O acordo prevê a criação de uma fundação independente de pesquisa sobre o bem-estar de jovens nas redes sociais. As alterações são aplicáveis, no momento, apenas no território americano.
A Meta incluiu uma cláusula que prevê o pagamento adicional de US$ 5 bilhões (cerca de R$ 25 bilhões) aos Estados caso outras plataformas, como TikTok, Snap e YouTube, adotem as mesmas restrições. A empresa explicou que adolescentes transitam por dezenas de aplicativos diariamente e migram para outras redes quando encontram restrições em uma delas.


