O presidente Javier Milei anunciou, em discurso televisionado na quinta-feira, o envio de um projeto de lei ao Congresso para endurecer as sanções contra empresas que realizam perfurações de petróleo e outras atividades nas Ilhas Malvinas. A medida marca uma mudança na postura do governo, que anteriormente priorizava a diplomacia em relação ao arquipélago controlado pelo Reino Unido.
Milei propôs a criação de um conselho de segurança nacional para coordenar políticas de segurança marítima e aeroespacial. O presidente também prometeu ampliar os recursos destinados a uma base naval na província da Terra do Fogo, região considerada estratégica para o acesso às ilhas e à Antártida.
O governo não detalhou o texto do projeto de lei. A iniciativa ocorre após o presidente dos EUA, Donald Trump, sugerir que Washington poderia reconsiderar sua neutralidade na disputa, citando a falta de apoio britânico em operações militares no Oriente Médio.
O campo petrolífero Sea Lion, ao norte das ilhas, é operado pela Navitas Petroleum e pela Rockhopper Exploration. Ambas as companhias possuem vínculos com investidores israelenses e afirmaram na sexta-feira que detêm licenças válidas, negando que as falas de Milei afetem o cronograma do projeto. Apesar disso, as ações das duas empresas registraram forte queda na sexta-feira.
A mudança de tom recebeu apoio de setores da população e até de adversários políticos. Juan Grabois, líder de esquerda, classificou a reviravolta como bem-vinda. Já a pesquisadora Candela Mascetti, da Escola Superior de Guerra, afirmou que a postura é contundente, embora não represente um chamado às armas.
A nova linha política surge em um momento de baixa popularidade para Milei, que registrou 36,8% de aprovação em pesquisa de agosto realizada pela Zuban Córdoba e Associados. O presidente já havia sido criticado por veteranos da Guerra das Malvinas e pela oposição ao elogiar a ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher.
O Reino Unido declarou na sexta-feira que sua posição sobre a soberania do território é inabalável. A Argentina reivindica a posse do arquipélago há quase dois séculos, tendo perdido a guerra contra os britânicos em 1982.


