Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) cobraram, nesta quarta-feira (9), a intervenção do presidente da Corte, Edson Fachin, para conter o agravamento de uma crise interna. A pressão ocorre após o ministro Flávio Dino conceder liminar que derruba decisão de André Mendonça e reintegra o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
A movimentação ocorreu por meio de telefonemas ao presidente do tribunal, sob a avaliação de que a sucessão de decisões judiciais tornou insustentável o cenário de indefinição. Integrantes da Corte afirmam que a disputa entre as alas lideradas por Alexandre de Moraes e André Mendonça passou a atropelar a condução da presidência e ameaça esvaziar a autoridade de Fachin.
O ministro André Mendonça foi um dos que contatou Fachin, classificando a decisão de Dino como ilegal. Dino justificou a reintegração de Rodrigues para evitar danos irreparáveis a processos sob sua relatoria. O despacho também determinou que o delegado Leandro Almada retome o posto de diretor de Inteligência da corporação.
O embate tem origem em relatórios de inteligência da Polícia Federal produzidos entre 3 e 31 de agosto. Mendonça afirma ter sido alvo de monitoramento sistemático e ilícito, citando seis documentos que analisavam sua atuação e sua relação com o advogado-geral da União, Jorge Messias. Já Alexandre de Moraes, vice-presidente do STF, utilizou tais relatórios para pedir investigação sobre Mendonça por indícios de crime de responsabilidade e abuso de poder.
Moraes aponta suspeitas de que Mendonça teria interferido indevidamente na Polícia Federal para direcionar delações premiadas por interesses políticos. O conflito se intensificou após Mendonça retirar o sigilo de documento da PF com mensagens de um banqueiro enviadas a Moraes.
Nos bastidores, interlocutores do Supremo discutem a possibilidade de intervenção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A avaliação é que o presidente seria o único ator externo com força política para construir uma acomodação entre os grupos. Uma das alternativas mencionadas envolve a mudança na cúpula da Polícia Federal, embora não haja indicação de que Lula tenha aderido à proposta.


