Ministros das Relações Exteriores de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai terminaram em impasse, nesta quarta-feira (2), a reunião em Montevidéu sobre a divisão da cota de exportação de carne bovina para a União Europeia (UE). O grupo não chegou a consenso sobre como repartir o volume de 99 mil toneladas anuais.
A cota, prevista no acordo comercial com a UE, permite a exportação de carne com tarifa reduzida de 7,5%. O chanceler do Uruguai, Mario Lubetkin, informou que houve discussão franca, mas que as propostas de divisão permanecem distantes. O governo do Paraguai defende que cada um dos quatro membros do bloco tenha direito a 25% do volume total.
Brasil, Argentina e Uruguai possuem posições aproximadas e defendem que a repartição seja proporcional ao histórico de vendas e à capacidade de produção de cada país. Um acordo do setor privado de 2004 previa 42,5% para o Brasil, 29,5% para a Argentina, 21% para o Uruguai e 7% para o Paraguai.
Diplomatas avaliam que a insistência de Assunção por uma divisão equitativa pode ser uma tentativa de obter contrapartidas em outras negociações, como a revisão do Tratado de Itaipu e a venda de energia elétrica. O chanceler paraguaio, Rubén Lezcano, admitiu recentemente a necessidade de buscar alternativas para alcançar um consenso.
O encontro ocorreu no momento em que entra em vigor o veto sanitário da UE à carne brasileira. A proibição, motivada pela falta de garantias federais sobre a não utilização de antimicrobianos na pecuária, deve durar de dois a três anos. Apenas a carne embarcada até esta quinta-feira (3) poderá ingressar no mercado europeu.
Lubetkin afirmou que os ministros manifestaram preocupação com o veto ao Brasil e com a possibilidade de a UE utilizar mecanismos para fechar mercados. O acordo Mercosul-UE entrou em vigência provisória no dia 1º de maio e, no momento, o preenchimento das cotas ocorre por ordem de chegada.
Os ministros voltarão a se reunir presencialmente em um prazo de 45 a 60 dias. A orientação é que negociadores técnicos tentem destravar a questão para que haja um acordo político antes da cúpula de líderes, agendada para 4 de dezembro, na capital uruguaia.


