As montadoras Volkswagen AG, Mercedes-Benz Group AG e BMW AG iniciaram investigações de compliance contra a Changzhou Xingyu Automotive Lighting Systems Co. Ltd, fornecedora chinesa de peças automotivas. A medida ocorre após denúncias de abusos trabalhistas envolvendo 107 recém-formados contratados para funções de pesquisa e desenvolvimento.
A controvérsia começou no início de agosto, quando a Xingyu ordenou que os profissionais, a maioria com mestrado, deixassem a empresa apenas um mês após a contratação. Os trabalhadores receberam um ultimato: aceitar metade de um mês de salário como indenização ou serem transferidos para a linha de produção da fábrica, com remuneração baseada no pagamento por peça.
Todos os 107 funcionários foram obrigados a deixar a companhia. Um ex-empregado da Xingyu informou que a transferência de funcionários indesejados para a montagem e a imposição de cotas inalcançáveis são práticas recorrentes da empresa para forçar pedidos de demissão sem o pagamento de indenizações.
A Volkswagen confirmou nesta terça-feira (1º) a abertura de uma investigação especial após as reclamações. A Mercedes-Benz também iniciou apuração interna via escritório de compliance corporativo, classificando o episódio como grave violação da cadeia de suprimentos. A BMW realizou análise semelhante após receber documentos de um denunciante.
Os demitidos encaminharam as queixas diretamente aos departamentos de compliance das montadoras europeias e a canais da União Europeia para denúncias de trabalho forçado. A estratégia foi apoiada por voluntários que reuniram evidências das ações da fornecedora.
A Xingyu atribuiu as demissões a mudanças no setor e reestruturação organizacional. A empresa, listada em Xangai, tenta atualmente obter listagem de ações em Hong Kong. A Hong Kong Exchanges and Clearing Ltd. informou que não comenta casos individuais.
Wu Yuming, pesquisador da East China University of Science and Technology, disse que fabricantes chineses de peças historicamente priorizaram o controle de custos em vez de governança ESG. Segundo o pesquisador, relatórios superficiais de compliance não são mais suficientes para atender às normas internacionais de cadeias de suprimentos.


