O ministro Alexandre de Moraes incluiu, nesta quinta-feira (3), o ministro André Mendonça no inquérito das fake news. A decisão baseou-se em um relatório de inteligência da Polícia Federal (PF) que aponta comportamentos distintos de Mendonça ao supervisionar operações sobre irregularidades no Banco Master e no INSS.
O documento da PF indica que Mendonça demonstrou interesse em abrir investigação contra Moraes, solicitando repetidamente provocações para iniciar o processo formal. Em contrapartida, o relatório afirma que o ministro relativizou informações enviadas à Corte sobre Dias Toffoli e manteu postura “abertamente defensiva” em relação a Kássio Nunes Marques.
Moraes determinou o envio dos relatórios ao seu gabinete por meio do inquérito 4.781 e retirou o sigilo do material. Na decisão, o ministro declarou haver fortes indícios de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade cometidos por Mendonça, citando a quebra da imparcialidade judicial e favorecimento a grupos políticos.
Os relatórios de inteligência foram produzidos paralelamente aos autos judiciais após policiais considerarem atípicas intervenções de Mendonça nas operações Sem Desconto e Compliance Zero. As suspeitas envolveram a exigência de acesso a dados brutos, controle de equipes e participação em tratativas de colaboração premiada.
O embate público ocorreu após Mendonça retirar, na terça-feira (1), o sigilo de dados da operação Compliance Zero que mencionavam contatos entre Moraes e Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Moraes então requisitou os documentos internos da PF, que originalmente se declaravam sem valor probatório.
Moraes encaminhou o material ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, para as providências necessárias. O inquérito das fake news, aberto em 2019 por Toffoli e relatado por Moraes, é descrito pelo ministro Gilmar Mendes como um instrumento de defesa da Corte contra críticas.


