O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, incluiu o ministro André Mendonça no inquérito das fake news nesta quinta-feira (3). Moraes solicitou ao presidente da Corte, Edson Fachin, a abertura de uma ação contra Mendonça, sob a acusação de que ele teria direcionado investigações contra cinco magistrados do tribunal.
A decisão, protocolada no período da noite, aponta que Mendonça teria violado a imparcialidade judicial em relatórios das Operações Sem Desconto, que apura fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), e Compliance Zero, sobre suspeitas de fraude bilionária envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
Moraes alega que o colega praticou usurpação da direção de investigações, condução irregular de delações premiadas e favorecimento de grupos políticos. O relator cita a decisão de terça-feira (1), quando Mendonça retirou o sigilo de relatórios da Polícia Federal (PF) que expunham conversas entre Moraes e Vorcaro.
Segundo o documento, a medida teria sido usada para desviar investigações que atingiam o próprio Mendonça e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, por motivos pessoais e políticos. Após a decisão, Moraes determinou que todos os relatórios da PF com menção a ministros do STF fossem enviados ao seu gabinete.
Além de Moraes, os ministros Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Luiz Fux e Nunes Marques foram citados nos inquéritos relatados por Mendonça. O procurador-geral da República e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, também aparecem nos documentos.
A divulgação de mensagens de Vorcaro revelou a existência de privilégios oferecidos à família de Moraes, incluindo uso de aeronaves privadas e cartões de crédito corporativos para seus filhos. Em resposta ao imbróglio, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu a nulidade da investigação da PF.
O presidente do STF, Edson Fachin, determinou que Moraes, Mendonça, o procurador-geral da República e Andrei Rodrigues se manifestem no prazo de cinco dias.


