O Ministério Público de São Paulo investiga a existência de uma estrutura criminosa dentro da Secretaria da Fazenda para acelerar procedimentos tributários em troca de pagamentos. A apuração mira o ex-diretor-geral da Administração Tributária, André Weiss, e o advogado João André Buttini de Moraes, suspeitos de operar a rede de propinas.
André Weiss ocupou um dos cargos mais altos da administração tributária do Estado até maio deste ano. Segundo o MP, ele teria recebido pagamentos mensais para assegurar que integrantes do esquema permanecessem em posições estratégicas dentro da Secretaria.
O advogado João Buttini é apontado como peça central do núcleo privado. Ele teria intermediado interesses de grandes empresas do varejo junto a servidores públicos para agilizar processos de créditos tributários e ressarcimentos de ICMS.
A investigação identificou que empresas e pessoas ligadas a Buttini movimentaram centenas de milhões de reais entre 2018 e 2025. O esquema utilizava a cobrança de taxas que variavam de 1% a 10% sobre os valores recuperados pelas empresas em processos tributários.
Em um dos episódios, Buttini teria entregue R$ 1 milhão a Paulo Sérgio Siqueira Prado, então delegado regional tributário. O MP afirma que outro pagamento de mesmo valor ocorreu meses depois, com movimentações bancárias compatíveis com a obtenção do dinheiro.
Operações imobiliárias e outras transações financeiras dos investigados também estão sob análise. Para o Ministério Público, esses negócios podem ter servido para dar aparência legal à origem dos recursos.
A Justiça determinou medidas para a coleta de documentos, registros financeiros e comunicações. O objetivo é detalhar a participação de cada envolvido e a dimensão total da estrutura.


