Dois trabalhadores foram resgatados nesta sexta-feira (4) de um túnel soterrado por destroços na usina hidrelétrica Upper Trishuli 3A, no Nepal. Os homens estavam presos há nove dias após enchentes provocadas pelo provável colapso de uma geleira, catástrofe que deixou mais de 1,2 mil mortos na fronteira com a China.
O encarregado mecânico Sanjay Sah e o supervisor mecânico Kabir Maharjan foram transferidos para um hospital militar em Katmandu. Segundo assessor do ministro da Energia, Biraj Bhakta Shrestha, Sah não apresenta ferimentos graves, enquanto Maharjan não consegue mover as mãos e as pernas. Ambos estão em unidade de terapia intensiva com sinais vitais estáveis.
Sah relatou aos socorristas que outras três ou quatro pessoas podem estar vivas no túnel, possivelmente em trechos mais profundos. A operação de resgate é liderada pelo Exército nepalês e pela polícia, com auxílio de especialistas da Índia, Coreia do Sul e China. As equipes utilizam helicópteros, máquinas pesadas e coordenação via WhatsApp para localizar sobreviventes.
Cerca de 900 trabalhadores de projetos hidrelétricos estão desaparecidos, sendo que 500 estariam dentro de túneis. Mohan Kumar Dangi, presidente da Associação de Produtores Independentes de Energia do Nepal, informou que as inundações atingiram 12 projetos nos distritos de Rasuwa e Nuwakot, com capacidade conjunta de 670 MW. O acesso é dificultado por estradas estreitas e escombros que bloquearam as passagens subterrâneas.
O balanço oficial indica 1.252 mortos no Nepal e 21 no Tibete, na China. Há mais de 4,2 mil desaparecidos, incluindo 583 estrangeiros, entre turistas e peregrinos. Dharma Raj Upreti, chefe da Autoridade Nacional de Redução e Gestão de Riscos de Desastres do Nepal, declarou que a destruição de casas e infraestrutura soma US$ 2,56 bilhões. Cerca de 20 mil residências precisarão de reconstrução, sendo 7,5 mil totalmente destruídas.


