A maioria das vítimas civis da guerra ocorrida no Afeganistão entre 2001 e 2021 ainda não recebeu justiça, reparações ou reconhecimento, segundo relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) divulgado nesta terça-feira (1º). O documento aponta a ausência de mecanismos de responsabilização após duas décadas de conflito.
A Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão (Unama) contabilizou mais de 40 mil mortes de civis e 77 mil feridos. As vítimas foram atingidas por ataques dos talibãs e do Estado Islâmico (EI), além de operações conduzidas por forças afegãs e pela coalizão liderada pelos Estados Unidos.
Um agricultor de 46 anos, morador da província de Logar, relatou que seu filho de oito anos morreu após um veículo blindado da polícia da antiga República Afegã abrir fogo. A esposa do homem também foi ferida nos disparos. Ele afirmou ter apresentado queixas ao governador e a serviços de segurança, mas não obteve resposta.
A Unama informou que a maioria das pessoas que buscaram justiça não teve sucesso. A organização explicou que um plano oficial de “Paz, Reconciliação e Justiça” nunca foi totalmente implementado no país.
O relatório menciona que o acordo firmado em 2020 entre os Estados Unidos e os talibãs não previu disposições sobre os direitos das vítimas nem mecanismos para a responsabilização dos envolvidos em abusos.
Após retomarem o poder em 2021, os talibãs aprovaram uma lei de anistia. A ONU declarou que o grupo nunca expressou publicamente a intenção de processar as violações do direito humanitário cometidas durante o período de guerra.

