A Polícia Federal (PF) encontrou indícios de que o ex-governador Cláudio Castro (PL) recebeu vantagens financeiras por meio de uma estrutura de lavagem de dinheiro ligada ao Grupo Refit. As informações constam em decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que retirou o sigilo do documento nesta quinta-feira (3).
Os investigadores citam o pagamento de R$ 10,5 mil por caviar, entregue em um hotel de São Paulo em abril de 2026, cujo valor foi quitado por uma empresa de terceiros. Segundo a PF, a AC Santos Participações e Empreendimentos teria realizado a transferência para ocultar a despesa pessoal do ex-governador.
A apuração aponta também a posse de fato de uma casa de luxo em Petrópolis, registrada em nome da Concrecasa Construções Inteligentes Ltda. A administradora da empresa possui vínculos com um empresário cuja companhia firmou 11 contratos com o Governo do Estado durante a gestão de Castro, somando R$ 355,2 milhões, sendo R$ 49,6 milhões sem licitação.
Na Barra da Tijuca, a PF analisa o aluguel de uma cobertura no Condomínio Atmosfera. O contrato prevê R$ 10 mil mensais, mas a estimativa policial é que imóveis semelhantes custem entre R$ 25 mil e R$ 29 mil. O imóvel pertence à J3 Real Estate Participações Ltda, empresa aberta 50 dias antes da compra da unidade por R$ 3,48 milhões.
Mensagens de WhatsApp indicam proximidade entre Castro e Ricardo Magro, controlador da Refit. Em diálogos, o ex-governador afirmou ao empresário “Aqui você tem um amigo” e disse a um advogado que “toco por aqui” ao tratar da regularização fiscal da companhia. A PF vê nessas trocas indícios de atuação direta para favorecer a antiga Refinaria de Manguinhos.
A investigação menciona que a Licença de Operação da refinaria foi renovada pela Comissão Estadual de Controle Ambiental (Ceca) mesmo com pareceres técnicos contrários devido a contaminações ambientais. Ricardo Magro, que teve a prisão preventiva decretada pelo STF em maio, permanece foragido e está na lista da Interpol.
Cláudio Castro negou ter favorecido a Refit e classificou as acusações como “absurdas”. A assessoria do ex-governador afirmou que a casa de Petrópolis possuía contrato regular de locação. A defesa de Luiz Fernando Gomes e da Enge Prat declarou que os contratos com o poder público foram legítimos.


