A Polícia Federal (PF) detalhou em relatório tornado público nesta terça-feira (1º) como recuperou mensagens enviadas por Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A apuração indica que o banqueiro tentou apagar os rastros da comunicação, mas deixou arquivos salvos no próprio celular.
Segundo a PF, Vorcaro utilizava a função de visualização única do WhatsApp, na qual fotos, vídeos ou áudios desaparecem após serem vistos. Para evitar registros, o banqueiro redigia as mensagens no bloco de notas do iPhone 17 Pro, realizava a captura de tela da imagem e a enviava ao magistrado. No entanto, as capturas de tela e arquivos PDF gerados automaticamente pelo sistema permaneceram gravados no aparelho.
O dispositivo foi apreendido em novembro de 2025 durante a Operação Compliance Zero, que investiga fraudes na venda de carteiras de crédito do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB). Para acessar o conteúdo, a PF utilizou o software israelense Cellebrite para quebrar a senha e o sistema Iped (Indexador e Processador de Evidências Digitais) para organizar os dados.
O relatório de 218 páginas, elaborado a pedido do ministro André Mendonça para identificar uma possível rede de influência de Vorcaro, foi entregue à Justiça em 27 de agosto. Como apenas o celular do banqueiro foi analisado, a PF informou que não foi possível verificar o teor das respostas enviadas por Moraes, impossibilitando a reconstrução integral de parte dos diálogos.
A corporação afirmou que a análise não possui caráter exaustivo, pois foi realizada no prazo de 72 horas determinado por requisição judicial. O conteúdo tornou-se público após o ministro Mendonça derrubar o sigilo da ação.
Procurados, o ministro Alexandre de Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e a defesa de Daniel Vorcaro não responderam até a publicação da reportagem.


