Um relatório da Polícia Federal (PF) expôs a proximidade entre o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, réu em processo conduzido pelo Ministério Público Federal (MPF). Após a divulgação do documento, Gonet solicitou o arquivamento do caso, alegando falta de competência do relator na determinação da produção do relatório.
A apuração indica que Vorcaro utilizou o advogado Ciro Soares como intermediário para convidar Gonet para uma degustação de charutos e do uísque Macallan em Londres. O procurador-geral aceitou o convite, manifestando expectativa por itens específicos da festa em mensagens encaminhadas ao banqueiro.
Os contatos entre as partes começaram em março de 2025. No dia 15 daquele mês, Soares enviou ao empresário a foto de um encontro com o procurador. Em 28 de março, Gonet afirmou estar com saudade de Vorcaro e disse torcer por ele em mensagens enviadas às 21h22, enquanto viajava para Roma.
O banqueiro respondeu às mensagens com a figura de um coração e retribuiu as demonstrações de afeto. Em resposta ao convite para a viagem, Gonet escreveu que esperava que houvesse charutos e uísque, ao que Vorcaro respondeu que haveria inclusive plantação de charutos e barris da bebida.
O chefe do MPF solicitou a inclusão de seu filho, Pedro Gonet, na viagem a Londres. No dia 29 de março de 2025, o advogado Ciro Soares consultou Vorcaro sobre a possibilidade, recebendo resposta positiva do empresário. O procurador agradeceu a concessão chamando o banqueiro de máquina.
O sigilo do relatório da Polícia Federal foi derrubado nesta terça-feira (1º) pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. Gonet argumenta que Mendonça, como relator, não possuía competência para determinar que a PF produzisse o documento.


