Centenas de manifestantes entraram em confronto com a polícia no centro de Santiago, nesta quinta-feira (3), em protesto contra reformas de segurança propostas pelo presidente José Antonio Kast. O grupo foi dispersado com jatos d’água e bombas de gás lacrimogêneo enquanto avançava pela Plaza Italia.
O pacote de medidas inclui oito modificações à Constituição para enfrentar o crime organizado. A proposta mais contestada prevê a criação de um novo estado de exceção, que poderia durar até oito meses em casos de grave ameaça à segurança pública, sem a necessidade de aprovação do Congresso.
Sob esse regime, as autoridades teriam poder para restringir a locomoção e a reunião de pessoas, além de interceptar comunicações em áreas declaradas em emergência. As reformas ainda precisam de debate no Congresso e receberam críticas da Human Rights Watch, de líderes da oposição e de membros da base governista.
Durante o protesto, manifestantes compararam as medidas de Kast ao período do ex-ditador militar Augusto Pinochet, que governou entre 1973 e 1990. Uma estudante de administração pública, de 22 anos, afirmou que o presidente está assumindo poderes incompatíveis com uma democracia.
O governo justifica a mão dura devido ao aumento de assassinatos e sequestros no país, impulsionados por grupos criminosos estrangeiros, como o Tren de Aragua, da Venezuela. A taxa de homicídios no Chile foi de 5,4 por 100 mil habitantes em 2025, valor que representa o dobro do registrado há dez anos.


