Um relatório da polícia espanhola critica a permissividade de policiais marroquinos e a redução do efetivo na fronteira durante a entrada em massa de imigrantes em Ceuta, no fim de julho. O documento, divulgado pela imprensa local, contradiz a posição do governo da Espanha, que isentou o Marrocos de responsabilidade pelo episódio.
Investigadores do Centro Nacional de Imigração e Fronteiras (Cenif) observaram que a mobilização de imigrantes nos dias 30 e 31 de julho coincidiu com um contingente policial no entorno da fronteira sensivelmente menor do que o habitual. Segundo o documento, não houve tentativa séria de reduzir, dispersar ou afastar as pessoas do perímetro.
O texto aponta que depoimentos de imigrantes e vídeos compartilhados em redes sociais mostram atitudes compatíveis com uma conduta de facilitação da imigração irregular. Os investigadores mencionam que a situação ocorreu paralelamente às celebrações do Dia do Trono em Rincón/M’Diq.
As informações deixam em situação complicada o governo de Pedro Sánchez. Nesta semana, o presidente afirmou que não havia informações de serviços de inteligência ou policiais que levantassem dúvidas sobre a participação das autoridades marroquinas no ocorrido.
O ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, solicitou ao diretor-geral da Polícia informações sobre o conteúdo do relatório do Cenif. O diretor negou a existência de documento que envolvesse as forças de ordem do Marrocos, refutação que foi repetida pelo Ministério do Interior nesta quinta-feira (3).
O Ministério do Interior informou que não foi emitido relatório atribuindo a autoria da ação a qualquer governo, serviço ou pessoa, pois a autoria intelectual seria desconhecida. Analistas sugerem que a crise pode ter sido uma mensagem do Marrocos sobre o Saara Ocidental, após visita de Sánchez a Argel em julho.


