A Polícia Civil investiga a creche e hospedagem para cães Pituchos da Lu, localizada na Rua Doutor Sousa Lopes, em Botafogo, na Zona Sul do Rio, por suspeita de maus-tratos. O inquérito na 10ª DP baseia-se em denúncias de tutores e de um ex-funcionário, que apresentou vídeos e áudios de agressões.
O ex-cuidador Genesis Sousa Cardoso Martins relatou que era orientado pelos proprietários a prender e bater em animais considerados agitados. Segundo ele, os donos do local, Pedro Ayres Torres e Luana Dames, praticavam as agressões e mantinham cães acorrentados em cômodos internos. O funcionário descreveu o segundo andar do imóvel, que também acolhe gatos, como insalubre.
Tutores relataram ter sido enganados por imagens nas redes sociais. Bianca Feldmann, cuja pet frequentou o local entre novembro de 2025 e junho deste ano, acreditava que o animal ficava na área externa, mas descobriu que ele era mantido preso. Outra tutora, Roberta Boscá, afirmou que seu cão era solto apenas para a gravação de vídeos destinados ao Instagram.
As provas incluem mensagens de WhatsApp. Em um dos trechos, diante do choro de um animal, o proprietário escreveu: “O cachorro vai morrer do coração. Se morrer, morreu”. A empresa confirmou a veracidade da mensagem, mas alegou que o texto foi retirado de contexto e representou um momento de frustração, negando que o animal tenha sido ferido ou trancado.
A Pituchos da Lu nega a prática de maus-tratos e afirma que a contenção de animais ocorre por apenas 10 minutos durante a alimentação, por segurança. A defesa da empresa contesta a integridade dos vídeos apresentados, alegando que possuem cortes, e informou que colaborará com as investigações por meio de análise técnica do material.
Policiais e integrantes de uma ONG de proteção animal visitaram o local no dia 28 de agosto. De acordo com a empresa, não houve prisões, apreensões ou interdições durante a ação, e nenhum animal foi encontrado ferido. O estabelecimento segue funcionando normalmente, embora o perfil da empresa no Instagram tenha sido desativado.
Sobre a saída do ex-funcionário, Martins afirma ter sido demitido por justa causa após divulgar vídeos de agressões. A empresa nega a versão, alegando que o desligamento ocorreu em 1º de setembro após apuração interna sobre a conduta do trabalhador em relação a Luana Dames.


