A Prefeitura de Porto Seguro implementou um plano de enfrentamento ao peixe-leão, espécie exótica e venenosa, pagando R$ 10 por cada animal capturado por pescadores locais. A medida, coordenada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Causa Animal (Semac), resultou na retirada de 442 exemplares da região em cerca de um mês.
O incentivo financeiro é temporário e deve ser mantido por mais 30 dias. A bióloga Aluane Silva Ferreira, da prefeitura, explicou que a ação visa conscientizar os pescadores sobre a importância de combater a espécie, que pode impactar a biodiversidade e a economia pesqueira local. O valor pago será reduzido gradualmente conforme novas estratégias de manejo sejam adotadas.
Nativos do Indo-Pacífico, os peixes-leão são predadores vorazes que competem por alimento com espécies nativas. Segundo Ferreira, a ausência de predadores naturais na costa brasileira acelera a multiplicação dos animais. O primeiro registro oficial da espécie no Parque Natural Municipal Marinho do Recife de Fora ocorreu em junho deste ano, embora já tenham sido identificados em Morro de São Paulo e Taipu de Dentro em 2025.
O Plano Municipal de Ação prevê monitoramento, pesquisa científica e a capacitação de profissionais. Dentro da unidade de conservação, onde a pesca é proibida, a retirada é restrita a pesquisadores e equipes treinadas. Os exemplares são encaminhados à Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) para estudos de genética e comportamento.
A UFSB também avalia se o peixe pode ser integrado a uma cadeia produtiva para consumo humano. Embora comestível, a aceitação é baixa devido aos espinhos venenosos. A prefeitura estuda a realização de festivais gastronômicos e torneios de pesca como alternativas de controle a longo prazo.
O animal possui 18 espinhos venenosos que podem causar dor intensa, inchaço, náuseas e dificuldade respiratória. A recomendação para banhistas é não tocar ou tentar capturar o peixe caso seja avistado em áreas de praia ou recifes.


