Quase 500 peixes-leão foram retirados do litoral de Porto Seguro, no sul da Bahia, em um período de um mês. A captura integra uma parceria entre a Colônia de Pescadores e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Causa Animal (Semac) para conter a espécie invasora na região.
O programa oferece R$ 10 por cada exemplar entregue à Colônia. A medida é temporária, prevista no Plano Municipal de Enfrentamento ao Peixe-Leão, e deve seguir por mais um mês antes de sofrer redução gradual. A Semac informou que a estratégia visa responder à invasão em áreas externas ao Parque Natural Municipal Marinho do Recife de Fora.
A primeira ocorrência oficial da espécie no parque foi registrada em 12 de junho de 2026. Anteriormente, o peixe-leão já havia sido visto na Bahia em fevereiro de 2025, em Morro de São Paulo, e em julho do mesmo ano, em Taipu de Dentro, na cidade de Maraú. A espécie é nativa da região indo-pacífica e chegou ao Brasil em 2014, pelo Rio de Janeiro.
O animal oferece risco ao equilíbrio marinho por não possuir predadores naturais no litoral brasileiro. A voracidade da espécie, capaz de comer 20 peixes em 30 minutos, compete por alimento e pode prejudicar o desenvolvimento de crustáceos e outros peixes, afetando a cadeia da pesca.
O peixe-leão possui 18 espinhos venenosos que causam dor intensa, náuseas e convulsões em humanos. Cada fêmea pode liberar até 30 mil ovos, com eclosão em 26 dias. No Parque Natural Municipal Marinho do Recife de Fora, a captura é restrita a pessoas capacitadas e autorizadas, sendo proibida a devolução dos animais vivos ao mar.
As capturas são destinadas prioritariamente ao Laboratório de Ecologia e Conservação Marinha da Universidade Federal do Sul da Bahia (LECOMAR/UFSB) para fins de pesquisa. O plano municipal prevê ainda monitoramento, capacitação e a futura avaliação sobre a comercialização do peixe, além de torneios de pesca e festivais gastronômicos.


