A Prefeitura de Paris solicitou ao ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, uma investigação sobre a situação da Casa Argentina, residência universitária localizada na Cité Internationale Universitaire de Paris. A medida ocorre após denúncias de expulsões, vigilância excessiva e a realização de reuniões de grupos de extrema direita no local.
As polêmicas se intensificaram após a nomeação do advogado Santiago Muzio como diretor em 2024. Moradores descrevem a gestão como uma “miniditadura”, relatando medo constante e falta de liberdade de expressão. Muzio, que dirigia a filial em Madri de uma instituição fundada pela eurodeputada Marion Maréchal, recusou-se a assinar a Carta de Valores da Cité U, alegando que não poderia endossar a igualdade de gênero e de orientação sexual.
Um ponto crítico ocorreu em fevereiro, com a retirada de uma placa em homenagem às vítimas do Terrorismo de Estado na Argentina. Após protestos, 13 moradores que participaram de homenagens aos desaparecidos foram impedidos de permanecer na casa durante as férias. Salvador Calanni, ex-vice-presidente do comitê de moradores, classificou a ação como perseguição política e informou que perdeu sua vaga para o ano letivo de 2026-2027 após um processo de seleção controverso.
A residência também passou a sediar eventos de grupos reacionários da Polônia e Hungria, além de debates contra a eutanásia. A senadora Sophie Briante Guillemont questionou o governo francês sobre a utilização das instalações para fins alheios à missão universitária, citando a influência de uma “internacional reacionária” ligada ao governo de Javier Milei.
Blandine Sorbe, delegada-geral da fundação que administra a Cité U, afirmou que trabalha para que o tema seja tratado diplomaticamente durante a visita do presidente argentino à França, prevista para o fim de setembro e início de outubro. O ministro Jean-Noël Barrot declarou na última terça-feira (2) que mantém conversas com as autoridades argentinas.
A fundação ressaltou que a intervenção é difícil porque a Casa Argentina depende diretamente do Ministério do Capital Humano da Argentina e não possui conselho de administração local. Muzio defende que as reuniões privadas são exercícios de liberdade de expressão e servem para arrecadar recursos para a manutenção do imóvel, cujas mensalidades variam entre 620 e 1.210 euros.


