Prefeituras de diversos estados brasileiros estão implementando ferramentas de inteligência artificial para aumentar a receita tributária e otimizar o atendimento ao cidadão. A tecnologia, fornecida por empresas especializadas, automatiza a cobrança de dívidas e a oferta de serviços via WhatsApp, reduzindo a dependência de estruturas físicas e de pessoal.
Em Divinópolis (MG), a adoção dessas ferramentas permitiu ao município recuperar R$ 20 milhões, montante que representa 12% dos créditos que a prefeitura não conseguia receber. Em Jacareí (SP), a administração realiza 6 mil atendimentos mensais por WhatsApp, dos quais 85% são resolvidos integralmente por inteligência artificial, deixando apenas 15% para a intervenção de um único funcionário.
Rodolfo Fiori, fundador e CEO da Gove, explica que o sistema utiliza a base de dados dos órgãos públicos para alertar contribuintes sobre tributos a vencer, dívidas pendentes ou campanhas de vacinação. O custo do serviço varia conforme o volume de usuários; em cidades com público de 800 pessoas, o valor é de R$ 60 mil por ano. A empresa atende hoje mais de 16 milhões de pessoas em aproximadamente cem municípios de 22 Estados.
Outras companhias, como ADM Sistemas e GovFácil, oferecem soluções similares. No Paraná, a GovFácil lançou aplicativos em Jaguariaíva, Tuneiras do Oeste e Paranaguá para incentivar a emissão de notas fiscais com CPF por meio de sorteios. Segundo a empresa, a medida aumenta entre 3% e 10% o Valor Adicionado Fiscal (VAF) e entre 2% e 8% a cota-parte do ICMS recebida dos estados.
A migração para o digital também visa evitar a judicialização de cobranças. Uma resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) autorizou a extinção de execuções fiscais de até R$ 10 mil que estivessem paradas por um ano sem apreensão de bens. Entre 2024 e fevereiro de 2026, o volume de execuções fiscais pendentes no Brasil caiu de 26,5 milhões para 16,5 milhões, dados do CNJ.
Além da arrecadação, a tecnologia é usada para preservar o conhecimento institucional. Fabrício Paes, diretor de Administração Tributária de Jacareí, afirma que a IA impede que a perda de informações ocorra quando servidores experientes se aposentam. O governo federal estima que o atendimento presencial chegue a custar 36 vezes mais do que o digital.


