Produtos falsificados e pirateados movimentam US$ 467 bilhões por ano, o equivalente a 2,3% das importações globais, segundo estimativas da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e do Escritório da União Europeia para a Propriedade Intelectual (EUIPO). Os dados constam no estudo Panorama do comércio global de produtos falsificados em 2025.
A economista da OCDE Morgane Gaudiau, coautora do documento, afirmou que os números representam apenas a ponta do iceberg e que a extensão real do fenômeno é desconhecida. O relatório indica que grupos criminosos utilizam marketplaces na internet, redes sociais e novas rotas logísticas para agilizar a cópia de artigos com alta demanda.
Entre 2020 e 2021, 65% das apreensões alfandegárias envolveram pequenos pacotes enviados por correio ou empresas de entrega. A estratégia inclui a fragmentação da produção, com o envio separado de componentes e etiquetas para que a montagem final ocorra próxima ao consumidor, dificultando a identificação da origem da mercadoria.
A União Europeia é a região mais afetada, com falsificações que representaram 4,7% de suas importações em 2021. Em 2024, as alfândegas dos 27 países membros confiscaram 112 milhões de artigos, avaliados em € 3,8 bilhões. A China é a principal origem, respondendo por 45% das apreensões e 47% do valor total das mercadorias confiscadas em 2021.
Artigos de moda e acessórios de couro lideram as cópias, seguidos por eletrônicos e relógios. A OCDE e o EUIPO alertam para o risco à saúde em produtos como medicamentos e alimentos. A Europol coordena a Operação Shield para combater remédios falsos; em 2025, a ação fechou cinco laboratórios clandestinos e derrubou dezenas de sites.
Nos Estados Unidos, 90% dos medicamentos falsos apreendidos foram comprados via internet. O governo americano também monitora o Brasil, citando a rua 25 de março, em São Paulo, em investigações sobre a proteção de direitos de propriedade intelectual. A OCDE recomenda maior coordenação internacional e compartilhamento de dados entre polícias e serviços de inteligência financeira.


