O Partido dos Trabalhadores (PT) protocolou nesta quarta-feira (2) uma representação contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no Conselho de Ética do Senado Federal. O pedido, assinado pelo líder da bancada da sigla, Camilo Santana, baseia-se em supostas contradições sobre o financiamento do filme Dark Horse, que homenageia o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A sigla aponta divergências entre as declarações do senador e informações da imprensa sobre a relação de Flávio Bolsonaro com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo a apuração, Vorcaro teria realizado repasses ao projeto em valores superiores aos admitidos pelo parlamentar.
Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) indica que Vorcaro transferiu US$ 1,6 milhão ao fundo Havengate Development, nos Estados Unidos, em 16 de setembro de 2025. O envio ocorreu oito dias após Flávio Bolsonaro cobrar pagamentos atrasados do fundador do Master. O total de repasses de Vorcaro soma R$ 65 milhões, convertidos pela taxa de câmbio da época.
A representação menciona ainda um áudio em que o senador pede dinheiro a Vorcaro. Em entrevista, Flávio Bolsonaro afirmou que o último repasse ocorreu em maio de 2025, mas o documento do Coaf registra a transferência de setembro, quatro meses depois do prazo indicado.
Camilo Santana declarou em nota que a imunidade parlamentar não pode servir de escudo para enganar a sociedade e que o Senado não pode ignorar fatos dessa gravidade. O partido informou que não apoiará pedidos de impeachment do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, embora congressistas governistas cobrem a retirada do sigilo das investigações.
O Conselho de Ética do Senado não realiza deliberações desde julho de 2024 e não tem previsão de reuniões para este ano. Nos últimos sete anos, o colegiado se reuniu cinco vezes. A assessoria de Flávio Bolsonaro não respondeu aos questionamentos sobre o caso.


