A prefeitura do Rio anunciou, nesta terça-feira (1º), a criação do Núcleo Integrado de Combate a Furtos e Receptação de Cabos para enfrentar crimes que causaram prejuízo de R$ 27 milhões em semáforos nos últimos cinco anos. O grupo reúne órgãos municipais, estaduais e concessionárias para mapear padrões e fiscalizar estabelecimentos que compram materiais furtados.
Desde 2021, 457 quilômetros de cabos de semáforo e 488 controladores foram furtados na cidade. O Grande Méier e a Grande Tijuca concentram 25% das ocorrências do período. No Grande Méier, a área mais afetada, dois terrenos já estão em processo de desapropriação para nova destinação.
O prefeito Eduardo Cavaliere afirmou que o crime se intensificou desde a pandemia e impacta a distribuição de energia, telefonia e a operação de trânsito. Segundo o prefeito, ferros-velhos sustentam a cadeia criminosa ao comprar os produtos em escala.
Para reduzir a incidência de roubos, a Companhia Especial de Trânsito (CET-Rio) está substituindo os cabos de cobre por aço com cobre, material que não possui valor comercial. A diretora-presidente da CET-Rio, Marize da Silva Queiroz Ribeiro, informou que controladores também estão sendo instalados em pontos mais elevados com garras anti-furto.
A meta da primeira etapa é trocar 14 quilômetros de fiação em 54 cruzamentos do Grande Méier e Grande Tijuca em até seis semanas. A expectativa do município é que a medida reduza os furtos em 75% nessas regiões. Os pontos mais críticos estão na Rua 24 de Maio, na Avenida Marechal Rondon e no Boulevard 28 de Setembro.
O problema se estende à iluminação pública. Entre 2021 e agosto de 2026, a Rioluz registrou 94,8 mil ocorrências, resultando no furto de 1.816 quilômetros de cabos e prejuízo de R$ 42 milhões. Somando as perdas da Rioluz e da CET-Rio, as despesas municipais chegam a R$ 69 milhões.
A rede elétrica residencial também foi atingida. Entre janeiro e julho deste ano, foram registrados 780 furtos, com cerca de 80 quilômetros de cabos subtraídos. O prejuízo estimado é de R$ 10,4 milhões, com maior incidência no Centro e em Copacabana.


