A disputa pelas 54 vagas do Senado nas eleições de 2026 registra o maior número de mulheres candidatas dos últimos 16 anos. Um levantamento do cientista político Murilo Medeiros, da Universidade de Brasília (UnB), com base em dados do instituto Quaest, indica que o pleito pode resultar na maior bancada feminina da história da Casa.
O estudo aponta que 15 mulheres estão em situação de favoritismo para as duas cadeiras em jogo em cada estado, enquanto outras 14 mantêm candidaturas competitivas. O cenário abrange nomes de diferentes espectros ideológicos. Se ao menos dez candidatas forem eleitas em outubro, o Brasil iguala a proporcionalidade do pleito de 2014, quando cinco dos 27 senadores eleitos eram mulheres, totalizando 18,5%.
Atualmente, as mulheres representam 22% das candidaturas, contra 78% dos homens, o que equivale a cerca de 3,5 homens para cada mulher na disputa. O recorde histórico de oito senadoras eleitas, registrado em 2002 e 2010, pode ser superado neste ciclo.
Medeiros explicou que o Senado ganhou maior protagonismo na relação entre os Poderes na última década, levando os partidos a escalarem nomes mais fortes, incluindo mulheres. Segundo o cientista político, a representação feminina deixou de depender de um único campo político e passou a integrar a estratégia eleitoral de diferentes forças, sendo a principal fortaleza da base do governo Lula e também do campo bolsonarista.
A doutora em Ciência Política pela UnB, Marcela Machado, afirmou que a ampliação da participação feminina ocorre por caminhos partidários distintos, o que não significa que as candidatas compartilhem a mesma agenda. Entre os nomes competitivos estão Janaína Riva (MDB), de 37 anos, em Mato Grosso, e Marina JHC (PSDB), de 35 anos, em Alagoas.
Carolina Botelho, pesquisadora do INCT/SANI, disse que o cenário deriva da pressão da sociedade civil por mais espaço para mulheres no Congresso. Botelho avaliou, porém, que o quadro é insuficiente e que a falta de recursos financeiros e de apoio nas campanhas ainda mantém a maioria das mulheres alijadas dos espaços de decisão política.

