O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) protocolou no Senado, na última quarta-feira (2), um pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A representação, assinada por outros 19 senadores, aponta suposto crime de responsabilidade baseado em revelações de investigações sobre o Banco Master.
O texto sustenta que a apuração é necessária para verificar possíveis conflitos de interesses e relações econômicas entre o ministro e pessoas ligadas ao banco. Um dos pontos centrais é a relação profissional entre o escritório Barci de Moraes, dirigido por Viviane Barci de Moraes, esposa do magistrado, e Daniel Bueno Vorcaro, controlador da instituição financeira.
Segundo a representação, um contrato firmado em janeiro de 2024 previa pagamentos líquidos mensais de R$ 3 milhões por 36 meses, com valor bruto superior a R$ 131 milhões. Outro acordo, de maio de 2025, teria estabelecido teto de R$ 50 milhões e ampliado a atuação do escritório para investigações criminais envolvendo os controladores do banco.
A denúncia menciona que metadados indicam que Moraes acessou e alterou versões do primeiro contrato antes da assinatura. O escritório confirmou o acesso e informou que o ministro analisou o documento para verificar eventuais impedimentos. O pedido cita ainda operações com ativos de aeronaves usadas por Moraes e familiares, além de mensagens no telefone de Vorcaro com um contato identificado como “Alexandre de Moraes BRASILIA”.
Vieira afirmou que a iniciativa busca submeter ministros do STF aos mecanismos de responsabilização previstos na Constituição. O senador disse que, apesar da dificuldade política imposta pelo presidente Davi Alcolumbre, considerou necessário apresentar um pedido “sóbrio e técnico”.
Os autores questionam se o ministro deveria ter declarado suspeição em processos envolvendo pessoas ou instituições relacionadas ao caso. O pedido requer que o Senado instaure o processo por crime de responsabilidade e, se reconhecido, determine a perda do cargo e a inabilitação para função pública.


