Hábitos de sono aos 40 anos influenciam o surgimento de biomarcadores da doença de Alzheimer aos 80 anos, segundo estudo realizado por faculdades americanas e francesas. O levantamento acompanhou mais de 1.300 pessoas na meia-idade durante duas décadas para analisar a correlação entre o descanso e a integridade cerebral.
Problemas como insônia, sonolência diurna e excesso de sono foram associados a alterações cerebrais prejudiciais e níveis anormais de proteínas no sangue. A pesquisa indica que a dificuldade para iniciar ou manter o sono está ligada a um maior índice de atrofia cerebral, com padrões semelhantes aos observados em pacientes com Alzheimer.
Participantes com insônia apresentaram uma carga de atrofia cerca de 8% maior do que aqueles que não possuíam esses sintomas. Já a baixa qualidade do descanso e a sonolência diurna foram associadas a níveis mais elevados de neurofilamento leve (NfL), que é um marcador de neurodegeneração e lesão neuronal.
O relatório sugere que o sono é um fator de risco modificável que age muito antes do aparecimento dos primeiros sintomas clínicos da doença. Para manter um sono saudável na meia-idade, a pesquisa indica a manutenção de uma duração equilibrada, entre seis e nove horas diárias.
O estudo recomenda ainda o tratamento de sintomas de insônia, o monitoramento da sonolência diurna e o cuidado com condições subjacentes, como a apneia do sono. A apuração foi conduzida por pesquisadores da Université Paris Cité, Université Sorbonne Paris Nord, Inserm, University of Alabama at Birmingham, Northwestern University e University of California San Francisco (UCSF).


