A Kindred Companion Sciences, startup de biotecnologia de Nova York, revelou ter criado os primeiros cães hipoalergênicos editados geneticamente. Por meio da técnica CRISPR, a empresa desativou o gene Can f 1, responsável pela produção de uma proteína que causa reações alérgicas em humanos, em dois filhotes da raça beagle.
Os animais, chamados Alfie e Bailey, foram produzidos via clonagem de genomas editados em embriões, que foram implantados em uma fêmea da mesma raça. Segundo a startup, não foi detectado nenhum traço do alérgeno nos dois cães, que possuem cerca de dois anos e apresentam desenvolvimento normal.
Matt Walker, cofundador e CEO da Kindred, adotou Bailey e afirmou não ter apresentado reações alérgicas. Walker descreveu a edição genética como uma solução simples para atacar o problema na origem, contrastando com raças vendidas como hipoalergênicas, que ainda produzem proteínas na pele, saliva e urina.
Especialistas alertam que o caminho até a comercialização nos Estados Unidos é longo. Cientistas anunciaram um gato hipoalergênico editado há dois anos e meio, mas os felinos ainda não estão disponíveis ao público. Há dúvidas sobre a eficácia a longo prazo de uma única edição genética para impedir reações em humanos.
A manipulação genética também levanta questões éticas e de saúde. Rowena Packer, especialista do Royal Veterinary College, em Londres, afirmou que a busca por características atraentes já criou diversas doenças hereditárias em cães. Lisa Moses, bioeticista da Universidade Harvard, alertou que a biotecnologia muitas vezes ignora o uso de animais como cobaias e doadores de óvulos.
Apesar dos riscos, a técnica pode ser usada para corrigir problemas genéticos. Um estudo de 2022 indicou a possibilidade de corrigir mutações associadas a problemas de quadril em labradores. No entanto, especialistas defendem que a melhoria do bem-estar animal exige a revisão de padrões raciais e maior diversidade genética nas populações reprodutivas.


