A 5ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) rejeitou, por unanimidade, nesta quarta-feira (2), o recurso que pedia o retorno de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá à prisão. O colegiado decidiu pelo arquivamento do pedido porque a Associação do Orgulho LGBTQIAPN+, autora da ação, não pagou as custas processuais exigidas.
O julgamento, relatado pelo ministro Ribeiro Dantas, começou em sessão virtual na última quinta-feira (27). A ação questionava a progressão dos condenados para o regime aberto, citando possíveis irregularidades na rotina de trabalho de Nardoni, circulação em horários não autorizados e dúvidas sobre o endereço informado à Justiça.
A associação, presidida pelo deputado estadual suplente Agripino Magalhães Júnior, baseou o pedido em relatos de moradores de São Paulo e Barueri. Um abaixo-assinado com mais de 2 mil assinaturas solicitava a volta dos envolvidos na morte de Isabella Nardoni ao regime fechado. Segundo o advogado Angelo Carbone, representante da entidade, Nardoni teria causado conflitos no bairro de Santana e em prédios de familiares.
Ana Carolina Oliveira, mãe de Isabella, publicou vídeo nas redes sociais contra a liberdade dos condenados. Ela afirmou que os dois nunca deveriam ter saído da cadeia e relatou que um familiar próximo encontrou o casal na rua agindo como se nada tivesse acontecido.
Condenados em 2008 pela morte da menina de cinco anos, Nardoni e Jatobá foram levados a júri popular em 2010. Alexandre recebeu pena de 31 anos, 1 mês e 10 dias, enquanto Anna Carolina foi condenada a 26 anos e 8 meses. Jatobá obteve o regime aberto em 2023 e Nardoni em 2024. Ambos negam o crime.
Paralelamente ao recurso, a Associação do Orgulho LGBTQIAPN+ protocolou representação no Ministério Público de São Paulo (MP-SP) pedindo a reabertura das investigações. A entidade alega ter recebido relatos sobre privilégios a Jatobá na prisão e uma versão diferente do crime. O advogado Carbone informou que as novas suspeitas recaem sobre a atuação de Antônio Nardoni, pai de Alexandre, no assassinato.


