A TRX e os sócios fundadores, Luiz Augusto Faria do Amaral e José Alves Neto, negaram nesta terça-feira (1º) as acusações do Ministério Público Federal (MPF) por gestão fraudulenta. A denúncia envolve a administração do FIP TRX Desenvolvimento Imobiliário I, veículo que possuía cerca de 230 cotistas.
Segundo o MPF, os executivos teriam direcionado recursos do fundo para empresas ligadas à estrutura da TRX, como a Pacificus 47 e a Logbrás, entre 2014 e 2019. A procuradoria sustenta que tais operações beneficiaram a gestora em prejuízo dos interesses dos investidores.
Um dos casos citados ocorreu em 2015, com a venda de uma participação na Saint Michel por R$ 23 milhões. O MPF afirma que o ativo valia R$ 36,6 milhões, conforme laudo da própria TRX, e que o valor da venda foi usado para capitalizar a Pacificus 47, empresa então pré-operacional, sem autorização dos cotistas.
A denúncia menciona ainda a venda de um centro de distribuição da Renault por R$ 198 milhões em 2017. De acordo com a acusação, a TRX passou a prestar serviços remunerados à empresa compradora na véspera da transação.
Em nota, a TRX declarou que as operações ocorreram há mais de dez anos, antes da criação do TRXF11, e seguiram a legislação da época. A empresa informou que os fatos são apurados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e que o mérito da denúncia do MPF ainda não foi analisado pela Justiça.
A CVM investiga a venda de ativos do FIP para sociedades ligadas à gestora e possível violação do dever de lealdade aos cotistas. O MPF pede a condenação dos executivos com base na Lei 7.492/1986.
Embora o fundo imobiliário TRXF11 não seja alvo da denúncia, suas cotas operavam em queda de 3,14%, cotadas a R$ 75,83, às 15h53 desta terça-feira (1º).


