A Volkswagen confirmou nesta quinta-feira (3) o corte de 100 mil postos de trabalho em todo o mundo até o final da década. A medida, considerada a maior reestruturação nos 89 anos do grupo, inclui a redução de 50 mil vagas recém-aprovadas por sindicatos e administração, somadas a outras 50 mil demissões já planejadas.
O plano de cortes representa cerca de 15% do quadro total de funcionários da montadora, que possui mais de 650 mil colaboradores. O volume de demissões supera as 50 mil vagas eliminadas pela General Motors quando a empresa americana pediu concordata em 2009. A reestruturação abrange o grupo Volkswagen, que inclui as marcas Audi e Porsche.
A diretoria aprovou por unanimidade o encerramento da produção em quatro fábricas na Alemanha: Hannover, Emden, Zwickau e Neckarsulm. As unidades empregam 44 mil pessoas e este será o primeiro fechamento em larga escala de plantas da companhia em seu país de origem. A empresa afirmou que a viabilidade a longo prazo dessas fábricas não podia ser garantida.
A decisão ocorre enquanto a margem operacional do grupo caiu para 3,8% no primeiro semestre, contra 7,9% registrados em 2022. A companhia enfrenta tarifas impostas pelos Estados Unidos, a concorrência da China e um crescimento lento na demanda por veículos elétricos. O CEO da empresa, Oliver Blume, afirmou que a medida envia um sinal forte para o futuro do grupo.
Embora não tenha detalhado o cronograma regional dos cortes, a Volkswagen informou que o foco estará na América do Norte e na expansão de exportações para o Sul Global. O plano prevê investimentos de centenas de bilhões de dólares em pesquisa e desenvolvimento para aumentar a competitividade tecnológica.
As ações da montadora atingiram a maior cotação em 11 semanas após o anúncio. Analistas de mercado e acionistas manifestaram alívio pela capacidade da empresa de tomar decisões drásticas diante de sua estrutura complexa e da pressão de grupos de interesse.


