A bancada da oposição protocolou, nesta quinta-feira (3), uma representação no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o ministro Alexandre de Moraes. O deputado Zé Trovão (PL-SC) solicita o afastamento temporário do magistrado e a suspensão de processos relatados por ele, incluindo as ações relacionadas ao 8 de Janeiro e ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
A iniciativa ocorre após o ministro André Mendonça levantar o sigilo de investigações sobre a relação entre Alexandre de Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, e o empresário Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.
A Polícia Federal encontrou contratos que somam R$ 158 milhões ligados a Vorcaro e à esposa do ministro. Segundo a apuração, o empresário teria realizado pagamentos ao escritório da advogada via aeronaves. Moraes teria participado da elaboração de um contrato de R$ 131 milhões entre o escritório da mulher e o empresário.
Zé Trovão afirmou que as informações justificam a revisão da atuação de Moraes. O parlamentar declarou que, se os indícios forem comprovados, os processos julgados pelo ministro não teriam validade jurídica, questionando a imparcialidade do magistrado diante de possíveis envolvimentos com crime organizado.
Os dados constam em um relatório de 218 páginas da PF, elaborado a partir de mensagens e arquivos do celular de Vorcaro, apreendido na Operação Compliance Zero. A operação foi deflagrada em novembro de 2025 para investigar fraudes na venda de carteiras de crédito do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB).
O documento foi entregue à Justiça em 27 de agosto e tornou-se público na terça-feira (1º). A PF informou que a análise não é exaustiva, pois foi realizada em 72 horas, e que diálogos via WhatsApp com visualização única impediram a reconstrução integral de conversas com o contato identificado como “Alexandre de Moraes BRASILIA”.


