A economia do Brasil cresceu mais do que o previsto nos últimos dois anos, mas começa a mostrar sinais de desaceleração. Segundo Felipe Salto, economista-chefe da Warren Investimentos, o verdadeiro entrave para um crescimento sustentável reside nas contas públicas desorganizadas, e não no consumo ou no agronegócio.
Salto aponta que, apesar da inflação ainda elevada, há um processo de desinflação em andamento. Isso pode permitir ao Banco Central considerar cortes na taxa Selic a partir de janeiro de 2026, desde que o cenário fiscal permaneça estável. No entanto, a normalização da inflação não é suficiente para resolver os problemas enfrentados pelas famílias, especialmente aquelas de menor renda, que continuam a sentir o peso dos preços altos de alimentos e da inadimplência decorrente dos juros elevados.
Para Salto, o crescimento futuro do Brasil depende da resolução do problema da dívida pública, que é significativamente maior do que a média dos países emergentes. Com 95% do Orçamento comprometido, qualquer ajuste exige enfrentar questões impopulares, como a revisão de subsídios e gastos obrigatórios. Sem esses ajustes, o ciclo de crescimento seguido de desaceleração tende a se repetir, afetando a economia brasileira de forma persistente.

