O recente acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia apresenta limitações significativas para o agronegócio brasileiro, com ênfase em beneficiar apenas grandes exportadores. Em análise, especialistas ressaltam que as cotas estabelecidas para a exportação de produtos, como carne bovina e aves, são insuficientes para atender a demanda do mercado europeu, o que pode restringir o acesso de pequenos produtores.
Além das cotas, a imposição de barreiras não tarifárias, especialmente em questões ambientais, eleva os desafios operacionais para os exportadores. A adaptação às rigorosas normas da UE, como o Regulamento de Produtos Livres de Desmatamento, requer investimentos em rastreabilidade e conformidade, o que pode excluir pequenos produtores que não possuem os recursos necessários para atender a essas exigências.
As implicações desse cenário são profundas, pois criam uma divisão no setor agrícola, levando a um ‘agro de duas velocidades’. A concentração de investimentos e a baixa competitividade de pequenos produtores podem agravar a desigualdade no acesso ao mercado internacional, tornando a recuperação econômica do agronegócio ainda mais desafiadora em um contexto global competitivo.

