O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, instaurou um inquérito para apurar se a Receita Federal e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) violaram o sigilo fiscal de ministros e seus familiares. A decisão, que foi tomada de ofício, foi noticiada inicialmente pelo Poder 360 e confirmada pelo Estadão. A investigação é motivada por suspeitas de vazamento de dados sigilosos, surgidas a partir do caso Banco Master, que envolve questões financeiras complexas.
O inquérito levanta questões sobre a legalidade das ações da Receita e do Coaf, que foram notificados sobre a investigação. A Receita Federal questiona a legitimidade do inquérito, argumentando que não possui acesso a dados de contratos particulares e que a quebra de sigilo sem procedimento fiscal é passível de penalidades. A abertura do inquérito também não contou com a solicitação da Procuradoria-Geral da República, o que é uma prática comum em casos desta natureza, o que acende um alerta sobre a relação entre o STF e os órgãos de controle federal.
As investigações sobre o Banco Master, que resultaram na prisão do dono da instituição, Daniel Vorcaro, e em uma série de operações da Polícia Federal, dividiram opiniões no STF. Ministros estão preocupados com possíveis pressões sobre os órgãos de controle e a integridade das apurações. Em meio a esse cenário, a determinação de Moraes de que os materiais apreendidos sejam enviados ao STF para análise tem gerado críticas e questionamentos sobre a validade das provas e possíveis implicações legais futuras.

